Comunicando dados com eficiência

Aplicando User Experience em Business Intelligence para comunicar dados

Nesta série de artigos abordarei a importância de aplicarmos Design Centrado no usuário no mundo dos Dashboards. Afinal, por que isso é importante?

“Estamos todos demonstrando um tremendo interesse em BI e software de análise de dados, mas negligenciamos algo importante: os usuários” alerta Thomas La Monte, analista sênior da Gartner Digital Markets e redator do Gartner’s GetApp.

Separei o artigo em três partes:

  1. A Importância de UX na área de Business Intelligence
  2. Design de Dashboards centrado no usuário
  3. Aplicação das técnicas de Information Design no dia a dia

O que é UX? Esse termo foi criado por Don Norman que diz que interface humana e usabilidade são termos muito próximos e teria que cobrir todos os aspectos da experiência de uma pessoas com um sistema, incluindo design industrial, gráficos, interface, interação física e manual. Desde então, o termo se espalhou tanto que está perdendo o seu significado.

Definição de User Experience: A experiência do usuário abrange todos os aspectos da interação do usuário final com a empresa,seus serviços, seus produtos e porque não, seus próprios dados.

A Importância de UX na área de Business Intelligence

A importância do disciplina de UX  em projetos de BI é bem clara e fácil de medir. Vamos trabalhar com 4 passos para garantir um projeto de sucesso.

1 – UX Research

Na fase de Pesquisa é sugerido fazer com os usuários finais os seguintes passos para validar o problema:

  • Entrevistas em profundidade
  • Teste de Usabilidade
  • Card Sorting

Após o recebimento do problema, agende reuniões para entrevistas com os usuários finais. Esta é a tarefa mais importante do projeto e é sugerido fazer sem a presença de pessoas da equipe da pessoa, BI ou TI. Evitar interferências pode garantir que seja descoberta a real dor do usuário. Estude o tema com o time e faça um questionário semi estruturado abordando o tema do dashboard e o contexto de uso da ferramenta.

Após a entrevista peça para a pessoa cumprir algumas tarefas detectadas com as ferramentas que ela tem disponível. Dessa forma é possível mapear a jornada de análise e o tempo que a pessoa gasta para cumpri-la. Fazer captura de tela e gravar esse momento pode ser bem enriquecedor, se puder, faça!

Consolide todas informações das entrevistas e testes para comparar na fase final do projeto. Nesse momento, você pode se reunir com o Project Manager e refazer o documento de especificação funcional do projeto, com certeza terá alterações do requerimento inicial.

2 – UX Design

Agora é hora de separar os assuntos de acordo com o Card Sorting, montar toda a arquitetura de informação e navegação da tela. Neste momento você já sabe qual ferramenta de BI será utilizada (Qlik, Tableau, Looker, Power BI entre outras) e agora é hora de ter um advogado do diabo (desenvolvedor) ao seu lado para discutir com a equipe como será a melhor forma de construir a interface.

A prototipação pode ser feita em uma ferramenta tipo Sketch ou XD. O importante é fazer os primeiros protótipos focados nas funcionalidades sem cor nenhuma se possível, isso minimiza a distração do usuário quando for validar a tela. Sugiro fazer pelo menos 2 rodadas de validação com testes para passar para o protótipo de alta fidelidade.

3 – UI Design

Com tudo aprovado agora é a hora da diversão! Aplicar o Branding da empresa seguindo as boas práticas de Information Design que irei publicar no terceiro artigo desta série. Faça mais rodadas de feedback e gere os specs para os desenvolvedores executarem.

4 – UI Development

Agora, a função do designer muda um pouco de foco para o cumprimento fiel do protótipo projetado e em performance. Muitas ferramentas possuem boas práticas para melhorar performance tipo: número máximos de objetos recomendados, filtros, cálculos agregados e etc. É muito importante que você projete as telas considerando esses aspectos.

Para finalizar teste novamente a interface e compare as métricas coletadas no início, isso lhe dará o insumo para gerar um relatório que mostrará o real valor agregado do desenvolvimento, por exemplo:

Suponhamos que com os testes e entrevistas constatamos que em um mês um diretor e seu time inteiro gastam 50 horas por mês fazendo análises sem insights de negócio relevantes, reuniões para discutir dados e etc… Economizando esse tempo teríamos em dinheiro economizado 450 mil reais.

Se na sua empresa não são aplicadas nenhuma das ferramentas de Design em BI, abra os olhos, isso pode estar lhe custando muito caro.

João Paulo Critis, especialista em UX & Datavisualization